A dor no ombro é uma das queixas mais comuns nos consultórios de ortopedia, e boa parte dos casos tem uma causa em comum: a tendinite. Ela aparece quando os tendões do ombro — principalmente os que formam o manguito rotador — ficam inflamados por sobrecarga ou desgaste ao longo do tempo.
Apesar de ser bastante frequente, a tendinite no ombro costuma ser confundida com "dor muscular" ou "mau jeito", o que atrasa o diagnóstico correto. Neste artigo, explico como reconhecer os sintomas, entender as causas mais comuns e saber o momento certo de procurar um especialista.
O que é a tendinite no ombro
O ombro é a articulação com maior liberdade de movimento do corpo, e essa mobilidade depende de um grupo de tendões — o manguito rotador — que estabiliza a articulação durante cada movimento do braço. Quando esses tendões são exigidos repetidamente, de forma intensa ou incorreta, podem sofrer microlesões e inflamar. É esse processo inflamatório que chamamos de tendinite.
Em estágios mais avançados, o atrito constante pode até levar a um desgaste progressivo da fibra do tendão, o que é diferente de uma lesão traumática aguda — por isso o histórico e o exame físico são tão importantes para o diagnóstico.
Principais sintomas
- Dor na parte lateral ou frontal do ombro, que pode irradiar para o braço.
- Piora ao levantar o braço acima da cabeça ou em movimentos como pentear o cabelo e vestir uma roupa.
- Dor noturna, especialmente ao deitar sobre o lado afetado.
- Sensação de fraqueza ao tentar levantar ou sustentar objetos com o braço.
- Rigidez leve pela manhã ou após períodos de repouso.
Causas mais comuns
Embora a tendinite no ombro seja associada a esportes com movimento repetitivo acima da cabeça — como natação, vôlei e tênis — ela vai muito além do universo esportivo. Na prática, vejo com frequência pacientes que desenvolvem o quadro por:
- Movimentos repetitivos no trabalho, como pintores, motoristas e profissionais que usam o computador em postura inadequada por longos períodos.
- Desgaste natural relacionado à idade, já que os tendões perdem elasticidade com o tempo.
- Má postura crônica, que altera o espaço por onde o tendão desliza dentro da articulação.
- Retomada de atividade física sem preparo ou fortalecimento prévio adequado.
Quando procurar um ortopedista
Vale buscar avaliação especializada quando:
- A dor persiste por mais de uma a duas semanas, mesmo com repouso.
- Há perda de força perceptível no braço ou dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia.
- A dor atrapalha o sono com frequência.
- Já houve um episódio anterior de dor no mesmo ombro que "sempre volta".
Quanto antes o quadro é identificado, mais simples costuma ser o tratamento — que na maioria dos casos começa de forma conservadora, com fisioterapia, ajustes de atividade e, quando necessário, medicação para controlar a inflamação. A cirurgia é reservada para uma minoria de casos que não respondem ao tratamento inicial ou que envolvem lesões estruturais mais significativas do tendão.
Está sentindo dor no ombro há alguns dias?
Uma avaliação especializada evita que o quadro se agrave e direciona o tratamento certo desde o início.
Agendar consultaEste conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um ortopedista.