Apesar do nome, a grande maioria dos pacientes que chega ao consultório com "cotovelo de tenista" nunca pegou em uma raquete. A epicondilite lateral — nome técnico da condição — ganhou esse apelido porque foi descrita inicialmente em jogadores de tênis, mas na prática ela é muito mais comum entre pessoas que fazem movimentos repetitivos com a mão e o punho no dia a dia de trabalho.
O que é a epicondilite lateral
No lado externo do cotovelo (o epicôndilo lateral) se inserem os tendões dos músculos responsáveis por estender o punho e os dedos. Quando esses tendões são sobrecarregados de forma repetida, sofrem microlesões que, com o tempo, geram um processo degenerativo — mais parecido com um "desgaste" do tendão do que uma inflamação clássica, embora o termo "-ite" sugira inflamação.
Causas além do tênis
Na prática clínica, as causas mais comuns que vejo não têm relação nenhuma com esportes de raquete:
- Uso repetitivo do mouse e teclado no trabalho, especialmente com apoio inadequado do braço.
- Profissões manuais que exigem preensão repetida, como marceneiros, pintores, cabeleireiros e cozinheiros.
- Movimentos domésticos repetitivos, como torcer roupas, usar chave de fenda ou carregar sacolas pesadas com o braço estendido.
- Uso excessivo de dispositivos móveis, segurando o celular por longos períodos com o punho em determinadas posições.
Sintomas mais comuns
- Dor na parte externa do cotovelo, que pode irradiar para o antebraço.
- Piora ao segurar objetos, apertar as mãos ou girar a maçaneta de uma porta.
- Fraqueza na preensão, às vezes perceptível ao segurar uma xícara ou um copo.
- Dor que piora gradualmente com o uso repetido ao longo do dia.
Como é feito o tratamento
O tratamento da epicondilite lateral é conservador na grande maioria dos casos, e costuma envolver:
- Ajuste da atividade que está causando a sobrecarga — muitas vezes o ponto mais importante e mais negligenciado do tratamento.
- Fisioterapia, com exercícios específicos de alongamento e fortalecimento excêntrico do tendão.
- Órteses (bracadeiras), que ajudam a redistribuir a tensão sobre o tendão durante as atividades do dia a dia.
- Anti-inflamatórios ou infiltrações, em casos mais dolorosos, para permitir o avanço da fisioterapia.
Casos que não respondem ao tratamento conservador bem conduzido após alguns meses podem se beneficiar de procedimentos adicionais, e a cirurgia é reservada para uma minoria de casos mais persistentes. O acompanhamento com um ortopedista ajuda a identificar precisamente a causa da sobrecarga e a corrigir o que está perpetuando o problema — não adianta tratar a dor sem ajustar o gesto que a está causando.
Dor persistente do lado de fora do cotovelo?
Identificar a causa da sobrecarga é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
Agendar consultaEste conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um ortopedista.