Poucas condições do ombro são tão frustrantes para o paciente quanto a capsulite adesiva, popularmente chamada de "ombro congelado". Diferente da tendinite ou bursite, aqui o problema não é um tendão inflamado, mas sim a cápsula que envolve toda a articulação — que progressivamente enrijece e limita o movimento, às vezes de forma bem intensa.
O que é a capsulite adesiva
A cápsula articular é uma espécie de "envelope" de tecido conjuntivo que envolve a articulação do ombro. Na capsulite adesiva, esse tecido inflama e progressivamente forma aderências, perdendo a elasticidade normal. O resultado é uma combinação de dor e rigidez que vai limitando cada vez mais o movimento do braço — muitas vezes a ponto de dificultar tarefas simples como vestir uma jaqueta ou pentear o cabelo.
É mais comum em pessoas entre 40 e 60 anos, e tem uma associação conhecida com diabetes e alterações da tireoide, embora também possa surgir sem nenhuma causa aparente ou após um período de imobilização do braço (por uma cirurgia ou fratura, por exemplo).
As três fases da capsulite
Dor progressiva e início da rigidez
Costuma durar de 2 a 9 meses. A dor é o sintoma predominante, e o movimento começa a ficar cada vez mais limitado, especialmente durante a noite.
Rigidez estabilizada
Dura de 4 a 12 meses. A dor tende a diminuir um pouco, mas a rigidez se mantém acentuada, limitando bastante os movimentos do dia a dia.
Recuperação gradual do movimento
Pode durar de 6 meses a 2 anos. O movimento vai retornando progressivamente, embora nem sempre de forma completa sem um tratamento adequado.
Como é feito o tratamento
- Fisioterapia com exercícios específicos de mobilização, que costuma ser a base do tratamento em todas as fases.
- Anti-inflamatórios ou infiltrações para controlar a dor na fase inicial, permitindo que a fisioterapia avance mais rápido.
- Hidrodilatação (uma técnica que distende a cápsula com injeção de líquido), indicada em alguns casos para acelerar o ganho de movimento.
- Manipulação sob anestesia ou liberação artroscópica da cápsula, reservadas para os casos que não respondem ao tratamento conservador após um período adequado.
O acompanhamento com um ortopedista desde o início ajuda a identificar em qual fase o quadro está e a ajustar o tratamento — o que costuma fazer bastante diferença tanto na velocidade da recuperação quanto no resultado final de movimento.
Sentindo o ombro cada vez mais rígido e dolorido?
Quanto antes o tratamento começa, mais curto tende a ser o processo de recuperação.
Agendar consultaEste conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um ortopedista.